A infidelidade, uma norma social?

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Depois de 11 meses de convivência com vocês, brasileiros, descobri que a infidelidade era presente em muitos casais. Então, podemos falar da infidelidade como um fato social normal no Brasil? Não tenho estatísticas para confirmar isso. Também, com certeza, não falo que todos os brasileiros são infiéis. Porém, é um processo que acontece numerosas vezes na sociedade. É um fenômeno não desprezível.

Se um amigo fala para você que ele beijou, transou com outra mulher que não a namorada dele, não pareceria tão surpreendente. Se o fato de ser infiel se torna algo comum e quase ninguém sanciona este comportamento, por que parar?

– Sanções sociais

Imagina. Você tem uma namorada, mas, também gosta de outra menina. Você fica com outra e vai falar com o seu grupo de amigos que ficou com essa garota. Se eles acham legal o que você fez, por que parar? Se você não encontra indivíduos que sancionam socialmente o seu comportamento, você vai, talvez, continuar.

Ao contrario, se o seu grupo de amigos não concorda e fala para você que o seu comportamento está errado, você vai pensar mais sobre o ato.

– A infidelidade tem gênero?

Se a gente imaginar, agora, uma mulher infiel com o namorado. Agora, é a mulher que tem um amante. Você acha que este fato será aceito da mesma maneira que é aceito o fato do homem ter uma amante? A infidelidade é compreendida de maneira diferente em função do gênero? Não deixe de dar a sua opinião num comentário mais abaixo.

– A infidelidade, a norma social?

Você acha que podemos falar da infidelidade como uma norma social? Lembro que uma norma social é um modelo de se comportar relativo a um grupo social numa sociedade. A sociedade concorda com um sistema de valores e normas. Os indivíduos desde a infância (socialização primaria) integram este sistema. (http://www.sociologia.com.br/norma-social-o-que-e-para-que-serve/)

Sabendo a definição da norma social, não podemos falar da infidelidade como um “modelo de se comportar”. Porém, é um modelo integrado pelos indivíduos na sociedade brasileira.

A infidelidade?

Primeiro, percebi que a infidelidade tem varias definições em função da cultura, do país e também do individuo. Qualquer individuo têm a sua própria definição da infidelidade.

Olhar e desejar, beijar, transar, namorar com outra… Em função da cultura, do país e do individuo, são formas de ser infiel.  

Podemos ser infiel durante uma hora ou durante vários meses, anos.

– Exemplo. “Eu? Infiel?!”

infidelidadePara dar um exemplo. Um dia, um amigo, hoje com 25 anos me falou que fazia 8 anos que está com uma namorada , ou seja, ele encontrou a namorada quando tinha 17 anos. Parecia-me estranho ficar sempre com a mesma mulher desde os 17 anos. No entanto, parecia ser uma historia bonita. E então perguntei para para ele: Você é um homem fiel? Ele me respondeu: Com certeza eu sou. Ele me mostrou a tatoo que tinha no corpo com o nome da namorada. Tentei acreditar que ele fosse realmente fiel. Porém, depois, ele adicionou: Se você encontrar minha namorada, por favor, não fala da “amiga” com quem estava ontem.

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Ainda bem que todos os brasileiros não são assim!

– Existem infidelidades mais toleráveis que outras? Quais são?

Por exemplo, quando um casal acaba tendo uma criança, às vezes, um dos pais conhece uma experiência de infidelidade. O pai ou a mãe vão escapar ao único papel de serem pais. O indivíduo vai conhecer o papel de ser “amante”. Permite sair um pouco da principal função identitaria de serem pais. Geralmente, depois disso, se desenvolve um sentimento de culpabilidade.

Porém, às vezes, a infidelidade não é só uma vez. O ato de infidelidade se repete. Nesse caso, é menos tolerável na sociedade. Se um individuo é infiel uma vez, podemos pensar que ele tem remorso.

– Como aceitar esta situação?

Primeiro, para “aceitar” esta situação, a namorada ou o namorado deve se sentir o preferido entre ele ou ela e o (a) amante, mostrar que não tem comparação entre as duas situações.

Segundo varias pesquisas, podemos ver que o mais complicado para a pessoa traída é o fato de sentir uma diminuição de afeição, de desejo.

– é diferente na França?

Como não tenho estatísticas, não posso falar que no Brasil existe mais infidelidade. Porém, me parece mais tolerado no Brasil que na França. Além disso, na França, a mulher vai em menor escala mostrar nos espaços públicos que ela tem, de fato, um namorado, que o homem ao lado dela é “seu”. As francesas têm menos ciúmes que as brasileiras.

Talvez, na França exista menos infidelidade entre os casais, porque quando se está namorando alguém não temos costume de trair, e também não é aceitável entre o grupo social de amigos, dizer que traímos o namorado ou a namorada…

– O que pensa Eric Anderson, sociólogo que tratou desse assunto?

Eric Anderson é um sociólogo americano que fez uma pesquisa, com 120 indivíduos, sobre os homens infiéis.

Segundo a pesquisa dele, 78% dos homens foram infiéis e os homens teriam vontade ficar com outra depois de dois anos de relação. Segundo ele, o fato de ser infiel não apresenta relação com o sentimento amoroso. São duas coisas diferentes segundo ele. Ser infiel seria como um “lunch” provocado pela sociedade. Segundo ele, o que permite uma relação séria não é o fato de ser fiel. O que permite ter uma relação séria, sem infidelidade, seria o fato de construir uma família, se casar, etc.

 

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Agora, pode começar o debate. Devemos aceitar a infidelidade? Se sim, até que ponto podemos aceitá-la?

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Sobre Léa Mougeolle

Me chamo Léa Mougeolle e sou uma socióloga francesa que adora escrever e estudar sobre o Brasil. Me graduei na universidade de Bordeaux e finalizei meu mestrado em Paris, na universidade La Sorbonne Nouvelle. É um prazer poder compartilhar conhecimento com você!