Sociologia da educação : As desigualdades perante a escola

Tempo de leitura: 4 minutos

As desigualdades na escola

Antes de falar das desigualdades escolares, é melhor concordar sobre a palavra “ desigualdade”. Uma desigualdade é uma diferença de acesso que gera uma organização hierárquica. A desigualdade é diferente da diferença. Uma desigualdade é uma diferença que se traduz com vantagens e desvantagens. Existem diferenças de sexo, de idade, etc. Vai ser uma desigualdade apenas se isto provocar uma desvantagem ou uma vantagem. A desigualdade pode ser uma relação entre indivíduos, grupos, países, sexos, gerações, etc. e podem se acumular. Por exemplo, se um individuo é uma mulher, sem qualificação, negra, morando numa favela. Estes fatores podem gerar desigualdades no mercado do trabalho, por exemplo. O Brasil é um pais onde as desigualdades são particularmente importantes.

Os fatores das desigualdades escolares                                    

Diversos factores podem explicar as desigualdades escolares.

O mais importante é o ambiante socioeconômico, mas não é o único. As desigualdades se explicam em função da origem da família. Por exemplo, um aluno que tem os seus pais que são qualificados vão ajudar o seu filho, vão se preocupar da sua educação escolar. Quando este aluno voltar à sua casa depois da escola, os seus pais vão lhe perguntar se ele tem que estudar no dia seguinte, quais são as suas notas, etc. Ele vai ter o costume de ler livros, ir a museus, atividades como estas. Os pais (que são uma instancia de socialização) vão ter cuidado com o feito que o filho tenha boas notas, tenha uma boa atitude na escola. De um outro lado, se o filho tem os seus pais que não sabem falar muito bem português, que não têm qualificações, os pais não poderão lhe ajudar da mesma maneira com a escola, não poderão lhe aconselhar para os seus trabalhos, para lhe acostumar com a cultura (ler livros, ir ao museu…), lhe ajudar com o seu futuro escolar. Então aqui existe uma primeira desigualdade importante.

desigualdade na escola

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Também, existe uma desigualdade entre meninos e meninas. Na verdade, o gênero produz desigualdade na escola. As meninas têm melhores resultados (notas) que os meninos. Desde a socialização primária (infância), as meninas são valorizadas se elas têm boas notas e tem o comportamento que corresponde à imagem que a sociedade espera de uma menina. Os pais não vão ter a mesma atitude se o seu filho e sua filha não têm uma atitude seria. Geralmente aceita-se com mais facilidade se o filho não gosta de ir à escola. Então, aqui existe uma outra desigualdade, as meninas têm melhores resultados que os meninos. Mas, sabemos que, no futuro, no mercado de trabalho por exemplo, elas têm mais dificuldades para encontrar um trabalho.

Também existe uma desigualdade entre as zonas das escolas. As aulas dentro de uma favela, não vão ser as mesmas que uma aula numa escola que se situa em um bairro rico. Que seja ao nível dos outros alunos, a presença do professor, etc. Vão ser diferentes e gerar desigualdades.

Explicação do sociólogo Pierre Bourdieu

Pierre Bourdieu é um sociólogo francês que é autor do conceito de diversas formas de capitais: econômico (dinheiro, salário), cultural (conhecimento, saber fazer) e social (relações). Segundo ele, os indivíduos têm  estes três “capitais”, mas em proporções diferentes. Em função destas diferenças, é criada a estratificação social. Segundo ele, a escola é um lugar onde se reproduzem as desigualdades. Em função da origem social, os alunos conhecem desigualdades de capitais e isso gera uma reprodução social. O aluno vai ter “capitais” perto dos “capitais” dos pais.

Além disso, a escola é uma instituição onde o professor esta presente para ensinar aos alunos conhecimento relativo às classes dominantes. Para ser mais concreta, o professor vai tentar ensinar as maneiras de falar dos indivíduos ricos do Brasil e não dos pobres. Assim, são excluídos uma parte dos alunos porque estes não têm o costume de falar desta maneira com a família, desta maneira, têm de fazer mais esforços que os demais colegas. Pierre Bourdieu chama isso de “violência simbólica”.

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E você, têm outros exemplos de desigualdades na escola? Você não concorda com Pierre Bourdieu? Você se interessa por este sociólogo francês e quer saber mais sobre ele? Não deixe de de compartilhar a sua opinião com um comentário! E se você têm perguntas, farei questão de te responder mais abaixo. Até a próxima!

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Sobre Léa Mougeolle

Me chamo Léa Mougeolle e sou uma socióloga francesa que adora escrever e estudar sobre o Brasil. Me graduei na universidade de Bordeaux e finalizei meu mestrado em Paris, na universidade La Sorbonne Nouvelle. É um prazer poder compartilhar conhecimento com você!

  • Abner Davi

    Muito bacana Léa. Gostei do texto, quando lia ja imaginava as palavras de Bourdieu. haha. Vc conseguiu receber meu email??

    • Léa Mougeolle

      Muito obrigada Abner. Desculpa a demora, busquei o seu email mas não encontrei… Então melhor se você me escreve nesta direção: [email protected] Obrigada, Léa.

    • Léa Mougeolle

      Muito obrigada Abner. Desculpa a demora, busquei o seu email mas não encontrei… Então melhor se você me escreve nesta direção: [email protected] Obrigada, Léa.

  • Sossandje José da Piedade

    Olá.
    Concordo em parte com o que acabei de ler. Na verdade a escola produz alguma desigualdade quando há uma mistura entre gente oriunda de diferentes extratos sociais. Mas, isso não deve continuar assim apesar de ser um grande desafio que sociedade tem de enfrentar, alguma coisa tem de ser feita no sentido de reduzir tais desigualdades entre meninos e meninas e entre pobres e ricos dentro da escola. Porque é na escola onde devemos aprender e cultivar os valores cívicos e moras, o respeito pelos outros, o respeito das instituições e também da natureza. Como tal, os professores em particular e a sociedade em geral devemos todos assumir o compromisso de reduzir estas desigualdades com objectivo único de se ter uma sociedade boa para se viver.
    Obrigado!

    • Léa Mougeolle

      Ola Sossandje.
      Muito obrigada pelos comentarios 🙂 Concordo com você. Para o que você diz ao inicio, posso te falar de um exemplo que conheço.. Meu pais: a França. É um pais onde não tem tantos diferentes extratos sociais na escola porque não é tão desigual socialmente. Porem, também a escola é responsável por reproduzir as desigualdades sociais. A família tem um papel muito importante nesta reprodução social. Os alunos não têm as mesmas facilidades. E concordo com você, é importante de assumir o compromisso de reduzir estas desigualdades. Para isso é importante ajudar as pessoas que apresentam necessidade.

  • Luiz Pullig

    Bem, vou tecer comentário sobre mim, e sobre alguns colegas que estudaram juntos comigo e tive o prazer de conviver (alguns até hj). Não posso nesse momento concordar com o pensamento do Sr. Pierre (Hj sabemos que frequentar uma escola, ou uma universidade, é bem mais fácil, e barato que na época do Sr. Pierre), quando ele afirma que os professores estão na escola para ensinar a maneira de falar dos indivíduos ricos, isso não aconteceu comigo. Estudei em escola pública, de bairro, e, do centro, e em nem uma os professores que tive (e foram vários) tentaram me ensinar viver, ser, falar, da maneira dos “ricos”. A preocupação estava, e, está centrada na forma correta de falar, de escrever,a preocupação estava focada no incentivo ao penamento, não sou bom em gramatica, mas basta dar uma olhado nas redes sociais para ver o que estão fazendo com a nossa linguá, com a ética, etc. Desigualdades sempre houve, e sempre vai haver, em parte por culpa nossa, em parte por culpa da própria pessoa, e, em parte por culpa do governo (federal, estadual, municipal), o que não podemos é acreditar que a escola, o professor, estão fomentando essa diferença, quando faço um curso de informatica, tenho que aprender a falar a linguá, ou a linguagem usado por aqueles que atuam, trabalham com informatica, ou, não farei parte desse mercado. É linguá de “rico”, ou é a linguá, costumes de quem quer vencer nesse seguimento?

    Acreditar que empobrecendo o “rico”, conseguiremos enriquecer o pobre, é o mesmo que eleger o inercia como meio de transporte. Existe ainda uma ponte grande entre os que podem, e os que não podem, cabe a nós como pessoas, sociedade, ajudar a diminuir essa distancia, criando condições para que as pessoas que querem, possam ter mais acesso a informação. Bom, acredito que os professores não precisam se esforçar para ensinar os costumes, nem o modo de viver, ou falar dos “ricos”, deixa que shopping, a tv, as revistas, as baladas, o face, façam isso.

  • Yuri Bolgardy

    Bom, concordo plenamente com seu texto, acredito, que há uma desigualdade gritante no Brasil tanto em relação ao gênero quanto ao socioeconômico. Imagina por exemplo uma criança da favela que ver outras crianças com brinquedos que elas não podem ter ou ver uma criança se divertindo na disney e não poder ir, nada deve ser mais frustrante para a criança pobre querer algo que ela sabe que não poderá ter. A mídia tem até um parcela de culpa sobre esse assunto, porém não posso deixar de citar o governo que deveria incentivar ou ter um planejamento social sobre as pessoas hipossuficiente, a falta de cultura gera a temível desigualdade seja ela social ou de gênero.Temos todos(cidadãos e Estado), que trabalhar juntos para enfrentarmos essa desigualdade social tão injusta que parece não ter fim.

  • Vanessa Lima

    Você poderia fazer uma sequencia de temas que mais cai em vestibular !
    Vou prestar vestibular no mês que vem e é muito mais interessante ler artigos e textos como esses do que um livro enorme rs 🙂