Minha Experiência Nas Olimpíadas e o Link Com a Sociologia

Tempo de leitura: 4 minutos

Olá leitores, como vocês estão? Queria pedir desculpa para vocês porque esse último mês não estava muito presente para escrever artigos e responder aos emails. Porém, tenho uma desculpa boa! Estava viajando no Brasil. Trabalhei como voluntaria no Club France (a casa da França) durante os jogos olímpicos. Depois, fui uma semana em Salvador e no interior da Bahia (Irecê, São Gabriel) para descobrir coisas novas. Então, queria comentar essa aventura com um olhar sociológico com vocês.

Primeiro relativo à cultura e a socialização. Na semana que antecedeu as olimpíadas, eu vi os jornais na França e se falava das partes que não estavam prontas ainda. Porém, os jornais brasileiros não tanto. Então, será que os brasileiros não estavam preocupados?! Por que essa diferença? Na França, temos o costume de planejar e se organizar com antecedência. O brasileiro tem mais o costume de deixar as preparações para a última hora. Então, o francês ficava preocupado enquanto o brasileiro não parecia porque ainda tinha uma semana.

 

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Outro exemplo, eu fui no interior da Bahia com um amigo baiano. Eu queria planejar esse final de semana dois meses antes. Porém, sendo brasileiro, esperei um pouco para falar sobre o planejamento da viagem, e só uma semana antes, perguntei sobre a nossa organização (O que vamos visitar, ver, a que horas saímos, comprar as passagens, etc.) Coisas “normais” para uma francesa! Entretanto, ele falou que era muito cedo para se preocupar com isso… Somente no dia anterior a viagem, ele falou “Léa, precisamos comprar as passagens. ” Ai, respondi (brincando), “não quer deixar para comprar depois? ” Podemos ver essas diferenças (Se organizar, planejar) entre nossas culturas. Desde a socialização primaria, aprendemos a planejar na França. (Depois de ter morado no Brasil, acho que na França planejamos até demais às vezes…).

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Enfim, não digo isso só para compartilhar minhas férias com vocês. Chamo a atenção sobre o fato de que, se o brasileiro planeja menos que o francês, não é um comportamento natural, sem explicação. Esse comportamento se explica pela questão da socialização e da cultura. Poderíamos usar a frase de Simone de Beauvoir, “ A gente não nasce com um comportamento planejado, a gente se torna um comportamento planejado. ”

 

Da mesma maneira, os brasileiros não integram as mesmas normas sociais relativas à violência, que os franceses. Por exemplo, um francês foi na praia de Ipanema, foi tomar banho e deixou a mochila dele na areia. Quando ele voltou, não encontrou mais a mochila. Outro francês andou no centro do Rio, a noite, sozinho. Ele foi assaltado. Tudo isso para concluir sobre o fato de que cada cultura tem o seu sistema de normas e de valores. Esses dois franceses não são loucos, so, não conhecem as normas sociais informais próprias ao Rio de Janeiro.

Depois, queria falar um pouco sobre as desigualdades sociais. Lembro que na França, temos principalmente uma grande classe média. A maioria dos indivíduos pertence a essa classe. E existem poucas pessoas muito pobres ou muito ricas.  No Brasil, podemos ver rapidamente que existem muitos ricos e muitos pobres, ou seja, muitas desigualdades sociais. Na França, não temos o costume de ter empregadas para preparar e servir a nossa própria comida, por exemplo. Uma empregada teria um salário mais alto na França. Por isso, que para os franceses fica complicado contratar empregadas. No Brasil, se pode ver que existe um sistema de valores e normas sociais próprias as relações entre empregado e empregador. Por exemplo, no Brasil quando a empregada fica de pé aguardando para saber se quero comer mais, me incomoda porque não cresci nesse ambiente e não integrei essas normas sociais. Lembro de que quando estava trabalhando no Club France, outra voluntaria francesa ajudou uma pessoa que estava limpando as lixeiras. Será que uma brasileira também tivera colocado as mãos no lixo para ajudar ela?

Mas, para terminar é muito importante falar de que todos os voluntários franceses adoraram o Rio de Janeiro e os brasileiros.

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Poderia continuar e continuar porque existem varias diferenças! Porém, por hoje vou parar por aqui. Comecei novas aulas de sociologia e em breve, voltarei aqui para escrever sobre novo

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Sobre Léa Mougeolle

Me chamo Léa Mougeolle e sou uma socióloga francesa que adora escrever e estudar sobre o Brasil. Me graduei na universidade de Bordeaux e finalizei meu mestrado em Paris, na universidade La Sorbonne Nouvelle. É um prazer poder compartilhar conhecimento com você!