Podemos falar das identidades? De uma identidade?

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Durante meu segundo ano de sociologia, um professor de psicologia social nos pediu para responder a um teste: “Quem sou eu?”. A maioria dos estudantes respondeu da mesma maneira que eu, com o seu nome, a sua idade, a sua nacionalidade, o seu trabalho, etc. Na verdade, segundo os psicólogos sociais, nos escondemos detrás das etiquetas sociais. Estas etiquetas sociais permitem estabelecer as diversas identidades de um individuo.

Neste artigo, vamos tentar esclarecer este termo. O que é a identidade? Existem diversos tipos de identidade? Temos só uma identidade ou várias identidades?

Este conceito começou a ser usado por sociólogos, como Erving Goffman, nos anos 1960, nos Estados Unidos. Na verdade, os primeiros grupos sociais que utilizaram este conceito eram as mulheres e os negros, é dizer, as pessoas vítimas de discriminações.

Segundo Jean-Claude Kauffman, a identidade é um “processo que permite dar um sentido à vida”. Este sociólogo francés pensa que o indivíduo pode se construir de maneira individual e com diversos pertencimentos. Segundo ele, o individuo não é uma entidade, é um movimento.

A identidade de um indivíduo integra o gênero, o sexo, a idade, a nacionalidade, a língua, etc. Dado estes diversos campos específicos à identidade, é melhor falar de identidadeS do que apenas, de uma única identidade. Então, este conjunto de referências identitárias formam um ser humano único. Existiria uma pluralidade de identidade em um único indivíduo. As práticas cotidianas permitem também definir as identidades da pessoa.

Se você pratica futebol, toca violão com um grupo, você não acha que existe uma identidade particular relativa a esta atividade?  Quando você se apresenta, às vezes, você não fala da(s) atividade(s) que você pratica? Isso é uma parte da sua identidade. Então, como definir em sociologia, a identidade?

Segundo uma das definições sociológicas, a identidade de um individuo ou de um grupo social são constituídos pelo conjunto das características e das representações. Estas características e representações fazem com que o individuo ou grupo social se considere como uma entidade específica e este fato é percebido pelos demais. Então, as identidades são de uma maneira, identidades para si mesmo e, de uma outra maneira, para os outros. (Lexique de sociologie, Dalloz, 2007)

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Para explicar isso de maneira mais fácil, vou usar um exemplo concreto. Quando era mais jovem, era professora particular em um trabalho voluntário, numa associação para meninos com dificuldades na escola, cuja os pais não podiam lhes ajudar por diversas razões (econômicas, culturais, etc.) Esta atividade permitiu me definir com um novo aspecto identitário.  Para ter este aspecto identitário, precisava praticar esta atividade e também ser identificada como uma pessoa que trabalhava na associação.

A unidade da pessoa é produzida pela auto-identificação e a percepção dos outros. O fato de ser identificada como pessoa, ator nesta associação, podia me gerar uma relativa admiração por esta atividade. Então, o fato de ter as minhas próprias identidades e de afirma-las, geram sanções positivas ou negativas. Por exemplo, as outras pessoas que estavam em contato comigo (amigos, família, colegas..) podiam concordar com a minha atividade, ou não.

Porém, a utilização do conceito de identidade, na sociologia francesa e na sociedade francesa, não é tão simples. Por exemplo, em outubro 2009, o presidente da republica da época, na França, Nicolas Sarkozy, organizou um debate político bem forte sobre a identidade dita “nacional”. Este debate teve como finalidade saber: Quem é francês? Como você pode imaginar, teve muitas discussões.

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E você, o que você pensa sobre este conceito? Deixe um comentário abaixo!

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Sobre Léa Mougeolle

Me chamo Léa Mougeolle e sou uma socióloga francesa que adora escrever e estudar sobre o Brasil. Me graduei na universidade de Bordeaux e finalizei meu mestrado em Paris, na universidade La Sorbonne Nouvelle. É um prazer poder compartilhar conhecimento com você!

  • Antonio Carlos Machado

    Acredito que o indivíduo expôe de maneira instintiva, diferentes características em diferentes grupos e ambientes, avalia a atratividade em função do grupo, omitindo aquilo que não é aceito ou suprimindo nuances, desta forma evidencia , enfoca e abarca valores e opiniões, esta não é naturalmente a opinião de um acadêmico e sim de um interessado “consumidor de conhecimento” saudações á todos

  • Carol Cosa

    Concordo que usar “identidades” ao invés de uma só é mais confortável, eu não saberia me definir em apenas um aspecto ou um grupo de pessoas, acredito que o que te identifica também te limita. Somos mais do que um conjunto determinado de posturas, aspectos, gostos, enfim…