O conceito de gênero

Tempo de leitura: 3 minutos

Após termos passado pelo dia das mulheres, acho que é preciso, não só comemorar, mas falar, na sociologia, das mulheres, do conceito de gênero e das desigualdades.

O sociólogo Eric Fassin insiste dizendo que o gênero é um conceito. “Não é uma teoria, não é uma ideologia, é um instrumento que ajuda a pensar”. Os “gender studies” (estudos de gênero) foram criados nos Estados Unidos, nos anos 1970. Muitas vezes, este campo de estudo é considerado como um tema relativamente militante. Na verdade, depende da maneira que o sociólogo usa este conceito. As diferentes escolas de sociologia tratam deste tema, cada um a sua maneira.

1. A origem do “gênero”?

Esta palavra foi utilizada primeiro nas ciências médicas, a psicologia e a sociologia e, a partir dos anos 1980, na história das mulheres. Na França, nos anos 1970, para falar deste conceito, falávamos antigamente de “sexo social” ou de “diferença social dos sexos”. Nos anos 1972, Ann Oakley, socióloga britânica, queria diferenciar o sexo do gênero.

2. Qual é a diferença entre o “sexo” e o “gênero”?

O sexo usa somente o caráter biológico comparado ao gênero que usa o caráter cultural. Por exemplo, uma diferença de sexo pode ser que as mulheres têm peitos e uma diferença de gênero pode ser que os homens gostam do futebol. O gênero trata das diferenças que são os resultados das construções sociais e culturais, não resultados da natureza humana.

3. Porque usar o conceito de gênero na sociologia?

Podemos tratar deste conceito em diversos casos. Por exemplo, o conceito de “gênero” é usado para falar das questões de desigualdades sociais, das hierarquias, da dominaçõe masculina, etc. Por exemplo, muitas vezes tratamos das desigualdades nas tareas domesticas. O faito que em termo de horario, em geral, as mulheres passam mais tempo no trabalho domestico. Este faito, pode ser trabalhado com o conceito de gênero. Na verdade, esta desigualdade, não é questão de natura mas de cultura.

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4. O quê fala Pierre Bourdieu sobre este conceito?

No famoso livro dele, A dominação masculina (1998), Pierre Bourdieu explica que temos que tratar  do gênero como “costumes sexuadas”. Para ele, as três instituições permitiram esta dominação: A Família, a Escola e a Igreja.

5. Como mensurar as desigualdades de gênero?

Existe um índice para mensurar estas desigualdades. Este índice se chama: “índice das desigualdades de gênero” e toma em conta o nível de instrução, a participação econômica, a participação política e as questões da saúde.

6. Onde começam as desigualdades de gênero?

As desigualdades de gênero começam desde a infância, é dizer, a socialização primária. Na verdade, de maneira muito geral, as meninas gostam das “Barbies”, gostam de brincar cozinhando, fazendo a limpeza e os meninos gostam do “Action Man”, dos jogos envolvendo força, etc. As desigualdades começam aqui. Os pais, a família, a escola têm comportamentos diferentes em função do sexo do menino. O menino tem que ser forte e a menina tem que ser mais tranquila, séria, ter boas notas na escola. Além disso, a menina reproduz as ações da sua mãe e o menino reproduz as ações do pai. Os pais são os primeiros modelos de comportamento para os filhos. O indivíduo, desde a socialização primária aprende as diferenças de gênero.

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Sobre Léa Mougeolle

Me chamo Léa Mougeolle e sou uma socióloga francesa que adora escrever e estudar sobre o Brasil. Me graduei na universidade de Bordeaux e finalizei meu mestrado em Paris, na universidade La Sorbonne Nouvelle. É um prazer poder compartilhar conhecimento com você!

  • Antonio Carlos Machado

    Das salutares diferenças

    A questão da desigualdade entre gêneros pode ser entendida a
    partir justamente da essência do “ser mulher” e do “ser homem”

    Desde sempre foi relegado um papel dito secundário a mulher,
    por ser físicamente mais frágil coube ao homem os deveres da caça e depois da
    guerra, primórdios da civilização.

    O papel social da mulher começava e terminava na célula
    social que é nada menos do que a família e ao longo dos séculos a própria condição de
    ser mãe foi a mais importante função do gênero feminino

    Isso muda á partir da segunda metade do século vinte, á par
    de qualquer outra análise, a mulher assume um papel um pouco mais igual ao do
    homem no momento em que se torna necessária na subsistência, na continuidade da
    preservação se sua espécie exercendo um papel econômico, a mulher deixa de ser
    dona de casa para ser um ser economicamente ativo, acredito que neste momento é
    que a mulher se aproxima da igualdade entre gêneros

    O IDG usa uma metodologia discutível por que não leva em
    conta antes de mais nada as conquistas e os direitos econômicos e de inclusão
    social do país como um todo, o IDG faz apenas mensão ás diferenças entre
    gêneros por isso é que o Burundi tem um IDC melhor do que o Brasil por exemplo.

    Acredito que as diferenças entre o ser social masculino e
    feminino existirão sempre e que isso é salutar visto que a visão e a ação feminina
    e masculina serão sempre distintas por conta de um papel sócio cultural que
    lhes é será sempre peculiar e maravilhosamente diferente.