Émile Durkheim – Teoria do Fato Social e a Teoria do Suicídio

Émile Durkheim e suas duas principais teorias

Enquanto sociólogo, Émile Durkheim é responsável pela formulação de inúmeras teorias estudadas até hoje. Dentre essas algumas merecem grande destaque devido a genialidade de suas observações, a validade metodológica das pesquisas e a complexidade das reflexões suscitadas. Dessa forma, destacaremos aqui duas das mais renomadas teorias deste estudioso: a teoria do fato social e a teoria do suicídio, de modo que possamos conhecer minimamente essas obras. Caso queira conhecer um pouco mais sobre este excepcional pensador não deixe de acessar este link antes de continuar a leitura deste artigo.

 

Durkheim e a Teoria do Fato Social

No que conhecemos hoje enquanto teoria do fato social, Durkheim parte do princípio de que os homens são animais selvagens, igualmente aos demais, e que aquilo que nos difere, dando-nos humanidade é nossa capacidade de tornarmo-nos sociáveis, ou seja, aprender hábitos e costumes capazes de nos inserir no convívio de determinada sociedade. Ele chama esse processo de aprendizado dessocialização, o que formaria nossa consciência coletiva, nos dando  orientações em termos de moral e comportamento nessa vida em sociedade. A todas essas informações ele chamou “fatos sociais”, apontando-os como verdadeiros objetos da sociologia. Nosso comportamento, moral, noção de coletividade e sociedade, e tudo aquilo que aprendemos nesse processo de inserção na vida social.

No entanto, nem toda ação humana configura-se num fato social. Para tanto deve atender a três características apontadas pelo sociólogo: generalidade, exterioridade e coercitividade.

  • Generalidade relaciona-se a existência desse fato para o coletivo social, e não apenas ao individuo.
  • Exterioridade refere-se ao fato de esses padrões culturais serem exteriores ao individuo e independentes de sua consciência.
  • Coercitividade trata da força que esses padrões exercem , obrigando seu cumprimento.

Isso tudo então diz respeito a todo comportamento ou ação que independe da vontade do individuo, e que no entanto não lhe fora imposto de maneira particular. Assim, fato social é toda aquela ação que responde a normas sociais externas e muito anteriores a sua individualidade, vontade e consciência individual.

Desse modo, percebemos que as instituições sociais como a igreja, escola, polícia e etc. apenas servem como um aparelho para a constituição dessa consciência coletiva que mantem a ordem da sociedade. Durkheim aborda também essa questão, o papel dessas instituições na propagação das normas sociais e morais que regem o convívio, e inclusive defende suas ações dentro da sociedade uma vez que ele acreditava que de fato os homens necessitam sentir-se seguros, regidos e amparados, quando isso falta a uma sociedade certos fenômenos surgem com maior força, como por exemplo a criminalidade e o suicídio.

Teoria do Suicídio

suicidioamor1Essa inquietação pode ter sido o que impulsionou Émile Durkheim na criação daquilo que ficou conhecido como teoria do suicídio. Aos longo de seus estudos sobre o tema, o sociólogo busca provar a tese de que o que as estatísticas apresentam é insuficiente para compreender a ocorrência e os níveis de suicídio. Para Durkheim tudo que se tem de informações sobre os suicidas é insuficiente. Aquilo que figura no obituário, por exemplo, trata-se na verdade da opinião que se tem sobre o fato, a opinião de uma pessoa aleatória, de modo que não serve enquanto informação palpável para se compreender o fato.

Sua teoria embasa-se inclusive em observações do âmbito religioso, uma vez que ele percebe que o índice de suicídio entre protestantes é maior do que entre o católicos, independente da região do suicida. Assim, surge uma possível teoria de que há então um menor controle sobre os fieis, controle social que para ele é também o papel da igreja e da religião. Dessa forma ele busca demonstrar como a causa dos índices de suicídio podem ser sociais.

No que se refere ao estudo dessas causas o sociólogo a divide essas causas entre três tipos: egoísta, altruísta e anômico.

  • A compreensão dos motivos egoístas passa pela observação da integração dos indivíduos em sociedades religiosas, politicas e domesticas. Percebe-se que a taxa desuicídios varia inversamente ao nível de integração desses grupos, e quando se da essa desintegração os fins próprios do individuo tomam o lugar dos fins sociais. Para homens nessa situação pouco importa o fim de sua vida visto que ele já não se integra ao seu meio social.
  • A causa altruísta refere a insuficiência de individualização, ocorrendo mais frequentemente naquilo que o sociólogo chama sociedades primitivas, onde os indivíduos estão de tal forma sobrepostos pelo coletivo que por vezes tem o dever de se matar e o fazem, sendo imbuído inclusive de certo sentimento de heroísmo. Dentro dessa causa Durkheim estudo o alto índice de suicídio de militares, devido a sua alta integração em seu meio social e busca por esse heroísmo, no entanto isso não ocorre apenas em prol da pátria, dando-se muitas vezes por motivos banais.
  • Por último trata do suicido de causa anômica, se difere dos demais por dar-seno momento em que o individuo não encontra razão de existência em si ou mesmo exterior e nem mesmo as sociedade em seus diversos mecanismos é capaz de controla-lo. É chamado anômico por ocorrer em situações extremamente fora do comum como uma forte crise que toma o individuo e a sociedade. Dentro desse aspecto Durkheim analisa os índices de suicídio em períodos de grave crise econômica e conclui que tal contexto influi nesses números por serem perturbações da ordem social e coletiva e não necessariamente pelas consequências como pobreza, fomes, etc.

E você, o que acha destas duas teorias? Participe com um comentário, a sua opinião vale muito neste portal!

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11 Comentários

  1. denilson

    Nos dias atuais, a causa egoísta não deve ser tão levada em conta, devido principalmente ao incremento tecnológico. E lembrando Saramago, o pessimismo deve-se ao meio social péssimo mesmo, de modo que essa “desintegração” citada no texto torna-se até uma experiência bem importante para o indivíduo.

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  2. danilo

    e quase isso pois as vezes os animais surpreende nos com seus afetos como podemos ver um cachorro abraçando um gato a sociedade hoje e muito egoísta e malvada sim acho que estamos mais para animais selvagens cada vez criando novas armas que se revolta a nos mesmo com mortes e sofrimento para a humanidade e sim os animais também podem ter costumes para viver em bandos como a maioria vive.

    Responder
    1. Daniel Neves

      Acho que os bando de animais não se comparam aos fatos sociais humano. Quando estão em bando, geralmente limitam-se a procurar comida em coletivo ou se proteger de um inesperado caçador. Claro, não dá pra comparar o cérebro de um homem com o de (qualquer) animal, mas ainda assim, acho válido afirmar que é exatamente este o motivo de os animais não ter muito interesse além do que diz respeito a comida e proteção. Quanto ao egoísmo e maldade, os quais impulsionam a guerras, também acho que é devido a intelectualidade humana. Raciocínio gera coisas boas, como também a maldade, ambição, egoísmo e etc. Ironia, mas acho esse o motivo do humano se afastar cada vez mais da perfeição. Quanto mais inteligente, mais errôneo fica.

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  3. João Fialho de Freitas

    Parabéns pelo material disponivel,gostaria de receber os assuntos pontuados que fazem referencia aos alunos de ensino médio em especial para as duas séries ( primeiro e segundo ano ).Obrigado.

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  4. Sara Fernandes

    As vezes os animais nos surpreendem com seu afeto , como podemos ver um cachorro abraçando um gato a sociedade hoje e egoísta , acho que estamos cada dia mais parecidos com animais selvagens cada vez mais criando novas armas que se revolta a nos mesmo com mortes e sofrimento para a humanidade e sim os animais também podem ter costumes para viver em bandos como a maioria vive a causa egoísta não deve ser tão levada em conta, devido principalmente as novidades tecnológicas . E lembrando o pessimismo deve-se ao meio social em que esses indivíduos vivem, de modo que essa “desintegração” citada no texto torna-se até uma experiência bem importante para o indivíduo.

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  5. maria das graças da silva freire

    Acho que no mundo em que estamos vivemdo encontrasse sem lugar pra existirmos é muito facil as pessoas tem passado a vida em uma correria desenfreada por extatos financeiros e sociais que o outro perdeu espasço e importância por que somos hoje o que possuimos e se não possuimos a vida em uma luta constante tentando possuir e enquanto isso o que realmente importante de lado

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  6. Edson Fernandes

    Infelizmente ele tem uma vizão muito tecnicista de um assunto tão complexo… com certeza, a sociedade não tem funcionado da forma correta, o que é compravado por indices bobos mesmo… como fome e etc… comparar o ser humano com o animal de forma tão superficial é absurda… com certeza um veterinário teria uma opinião bem mais complexa no assunto de comparação com o ser humano… Talvez, a ponto de simplificar até as teorias de froyd… enfim, a cinência atual evoluiu de tal maneira, que talvez, o legado mais válido desse grande pensador e cientista dos fenôminos sociais, seja ter deixado uma técnica muito interessante pra se entender o comportamento do ser humano, pelo menos até o nível de sentimento… por que, infelizmente, o sentido da razão, só podemos encontrar em nós mesmos… sendo pouco justificável, o resultado social de algumas mazelas que econtramos atualmente, com o grau de desenvolvimento intelectual e tecnológico…

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  7. Eduardo Brandao

    O suicidio ocorre no cotidiano,a cada decepção ai já vem o suicidio das idéias que morreram ,o ser humano quando espera algo e não se realiza ele se frustra,”esse já é um passo do suicidio”

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  8. ivo

    o estudo do suicidio e muito importante para a sociedade e nos podemos ver um cachorro abraçando um gato a sociedade hoje e egoísta , acho que estamos cada dia mais parecidos com animais selvagens cada vez mais criando novas armas que se revolta a nos mesmo com mortes e sofrimento para a humanidade e sim os animais também podem ter costumes para viver em bandos como a maioria vive a causa egoísta não deve ser tão levada em conta, devido principalmente as novidades tecnológicas

    Responder
  9. Luís Gustavo Cunha

    A sociologia de Durkheim é bastante prática. Podemos entender seus conceitos de forma atemporal: como a questão do fato social. As pressões que as instituições exercem sobre os indivíduos é notória e até mesmo, as pressões que o indivíduo exerce, por meio das sanções .Além disso, seu estudo estatístico sobre o suicídio é fenomenal (lembrando que hoje é proibido esses dados sobre o suicídio por conta do Durkheim). Demonstrando que esse fenômeno não é apenas um sui generis, mas que tem sim fatores sociais interferidos nele.

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