A influência social: Traçar seu próprio caminho ou seguir os outros?

Tempo de leitura: 6 minutos

Hoje o artigo vai ser um pouco especial. Por que? Porque somos dois autores. Marcelo Matte e eu, Léa Mougeolle.

Marcelo Matte decidiu levar um novo assunto, bem interessante, no Portal da Sociologia. Vamos compartilhar este tema, pode ficar tranquilo! Na verdade, ele propôs falar da questão da influência social. A questão geral será: Somos livres para nossas escolhas segundo o ponto de vista da sociologia e da psicologia social? Marcelo Matte começará este texto fazendo uma relação com um poema de Charles Bukowski. Depois disso, tratarei da influência dos outros indivíduos e grupos na sociedade sobre nossas escolhas. Agora, eu (Léa Mougeolle), deixo Marcelo Matte falar e volto depois. Até mais, boa leitura!

 

  1. A relação com o poema Nirvana de Charles Bukowski (Escrito por Marcelo Matte)

Então, neste texto o assunto que será tema principal parte do poema de alguém que nunca pensei que citaria neste site. Charles Bukowski, poeta e contista americano, nascido na Alemanha. Este poema é o poema “Nirvana”.

 

 

– QUAL O MOTIVO DE CITAR BUKOWSKI NESSE TEXTO? 

 

A resposta é simples. Com relação ao dilema de traçar seu próprio caminho, seguindo seus instintos e vontades, para alcançar seus objetivos, ou seguir o caminho traçado.

 

 

E COM RELAÇÃO AO POEMA? 

 

Charles Bukowski descreveu no poema Nirvana um jovem em uma viagem de ônibus. Um jovem, segundo ele, desprovido de qualquer propósito, seguindo uma viagem sem rumo definido. Um jovem que buscava algo que não sabia muito bem o que. No momento em que, no meio da estrada, o ônibus para em um pequeno café, aonde os passageiros adentraram.

 

Naquele café, o jovem então sentiu que nada ali o incomodava tudo ali era lindo, e sentiu vontade de ficar ali para sempre. Adorou a comida, o café, a garçonete, e teve a certeza de que seria perfeito ficar ali, no café, para sempre.

 

Porém, o motorista avisou os passageiros que estava na hora de seguir viagem, a viagem de ônibus que para o jovem era uma viagem sem rumo definido. Ele pensou em ficar ali, sentado, onde queria ficar, onde gostou de ficar. Mas, levantou, e seguiu os outros passageiros até o ônibus, achou seu assento, e seguiu viagem, deixando o local que para ele havia se tornado quase um lugar mágico, para trás.

 

Portanto, como disse na hora de explicar o porquê de citar Charles Bukowski, o poema resume esse dilema. O jovem mesmo querendo ficar no café, sentindo que era ali que queria estar, que ali era seu lugar, seguiu o caminho mais fácil, nesse caso, voltando ao ônibus.

 

Seguir os outros e não correr riscos é a escolha de muitos na sociedade. Cada um deve escolher seu caminho, seja esse um caminho completamente novo, ou um caminho já conhecido, tendo essa “liberdade” de escolher.

 

Para terminar esta parte, deixarei vocês pensarem sobre a citação de Alexander Graham Bell:

Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram.”

 

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  1. A influência dos outros indivíduos e grupos na sociedade sobre nossas escolhas (Escrito por Léa Mougeolle)

Você acha, que, se você hoje tem o trabalho que você tem é porque você escolheu sozinho? Se você fez estes estudos e não outros, você sozinho escolheu? De um lado, é muito provável. Porém, do outro lado, você vai ver que se você é o que você é hoje, não é somente “graças a” você.

– A influência das instancias de socialização: família, amigos, etc.

Todos os dias, você evolui ao lado de indivíduos, seja no trabalho, na família, no grupo de amigos. Quando você era criança, durante a socialização primaria, os seus pais, a sua família e a escola tiveram um papel determinante sobre você. Se você gosta, hoje, da Historia ou da Geografia, pode ser explicado pelo fato de que você gostou de um dos seus professores. Se você estudou Medicina, talvez é porque a sua família torceu muito para isso. Até nas relações amorosas, o papel do grupo de amigos é determinante. Olha um exemplo, não fica complicado gostar de um menino que as suas amigas não gostam? Você acha que a opinião das suas amigas não tem nenhum impacto sobre você?

Por exemplo, quando você faz parte de um grupo de amigos, não fica mais fácil ter os mesmos gostos do que os outros? Muitas perguntas para pensar!

Cada sociedade, cada cultura e cada grupo têm as suas próprias normas sociais. Então, cada vez mais que você adere à norma você receberá menos sanções sociais.

O que aconteceria se as minhas escolhas não fossem de acordo com as normas sociais valorizadas? Por exemplo, se eu nasci em uma família intelectual, porém, quero ter uma profissão relacionada ao manual, ao técnico. O que vai acontecer? Minha família vai me sancionar por causa disso, mesmo que eles digam que sou “livre” para minhas escolhas. Eu sei disso antes de falar desta escolha a eles porque desde criança eles me repetem que um dia, vou ter um trabalho intelectual também. Entendeu a ideia?

Então, fazemos o que queremos, somos “livres” para nossas escolhas. (Ainda não sei muito bem o que é “ser livre”, então deixo entre aspas). Porém, não podemos esquecer a influência que a sociedade tem sobre nós.

O lado econômico

Poderíamos também falar do lado econômico que influencia nossas escolhas. No Brasil, somos livres para estudar o que queremos? Na França, para estudar qualquer faculdade, qualquer ano, pagamos 1000 reais por ano. Quase em todas as faculdades não temos concursos seletivos. Parecemos ser “livres” para estudar o que a gente quer. Porém, na França, mesmo assim, vemos nas universidades, que qualquer estudante não estuda qualquer coisa. Os mais pobres são mais representados nas profissões técnicas que intelectuais. Isso mostra que a família, e tudo o que isso gera, teria mais impacto sobre nossas escolhas que o preço da universidade.

 

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Enfim, para terminar este artigo e voltar ao poema de Bukowski, podemos ver que não é tão fácil sair do caminho porque a sociedade está presente para nos mostrar o caminho que teríamos que seguir.

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Sobre Léa Mougeolle

Me chamo Léa Mougeolle e sou uma socióloga francesa que adora escrever e estudar sobre o Brasil. Me graduei na universidade de Bordeaux e finalizei meu mestrado em Paris, na universidade La Sorbonne Nouvelle. É um prazer poder compartilhar conhecimento com você!